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05/05/2004-16h03
USP e Petrobras entram em clima de Olimpíadas
Um grupo de estudantes da Universidade de São Paulo (USP) embarca na próxima semana para Atenas, na Grécia, pronto para lutar por um lugar no pódio. Nenhum deles, porém, faz parte da equipe olímpica brasileira nem disputará medalhas no maior evento esportivo do planeta. Mas representarão o país na primeira grande competição que antecede os Jogos, o Phaethon 2004, corrida de carros movidos à energia solar que será disputada entre os dias 22 e 29 de maio e percorrerá todo o litoral grego, num total de 800 quilômetros. A corrida reunirá potências do esporte como Estados Unidos, Alemanha, Japão, Itália e Austrália, entre outros.
O Brasil será representado pelo carro Petrobras/USP Solar, patrocinado pela Petrobras. A equipe é composta pelo engenheiro e empresário Eduardo Bomeisel (idealizador do projeto) e os estudantes da USP Vinicius Rodrigues de Moraes (coordenador da equipe e do projeto), Kira Beim, Mario Pin, Caio Bonini, José Claro Machado e Diego Ojjima. Também estão envolvidos no projeto Filipe Buscariolo e Paulo Rogow, alunos de graduação da Engenharia Mecânica da Universidade Presbiteriana Mackenzie, na capital paulista.
De acordo com o coordenador Vinicius de Moraes, a motivação da Phaethon, assim como de qualquer corrida de energias alternativas, é promover debates e troca de informações sobre energias renováveis e limpas. “O evento funciona como um congresso científico, promovendo a consciência ambiental, mas tem um apelo de competição”, explica Vinicius. “Mas é um clima de competição construtivo, com companheirismo e colaboração entre as equipes.
A equipe Petrobras/USP Solar será a única representante da América Latina. “Vamos nos ‘intrometer' em uma competição que, não fosse nossa participação, teria apenas países como os EUA, Alemanha, Holanda, Japão, Canadá e Itália. Mostramos ao mundo a competência e a seriedade do Brasil e divulgamos a idéia das energias limpas e renováveis como meio de alcançar a sustentabilidade.”
Segundo a estudante de Engenharia Naval Kira Beim, única mulher da equipe brasileira, o Petrobras/USP Solar foi preparado para as regras específicas da FIA e o relevo específico da Grécia. “O carro recebeu ajuste fino para esta competição. O relevo da Grécia é famoso por ser acidentado, tornando a corrida totalmente diferente da famosa World Solar Challenge (WSC), na Austrália – evento do qual pretendemos participar, em outubro de 2005 –, cujo percurso é de 3 mil quilômetros quase sem relevo. Na Phaethon, há muitas subidas e descidas, algumas extremamente inclinadas até mesmo para carros com motor a combustão”, diz Kira.
Histórico do projeto
O projeto do Petrobras/USP Solar começou em julho de 2002, com a preparação de um carro competitivo para a Phaethon 2004. Após a competição na Grécia, a equipe brasileira iniciará a preparação para a World Solar Challenge, em 2005, na Austrália, a maior corrida de carros solares do mundo.
O Petrobras/USP Solar é um carro-conceito. O objetivo do projeto é fazer carros solares de competição com características mais próximas possíveis de um carro normal. O veículo, por exemplo, leva duas pessoas sentadas, em vez de uma deitada, como é comum. Ao longo de 2004, ele recebeu ajuste fino para o estilo da competição da Grécia, bem como para o relevo daquele país. Adicionalmente, mudanças foram feitas para que o carro obedecesse a todas as rígidas regras da FIA, que regula a competição, o que atesta a seriedade da competição, organizada pelo Ministério da Cultura Helênica da Grécia.
O veículo solar brasileiro tem baterias elétricas, células de silício monocristalino e motor elétrico de alto desempenho. Todo o controle do motor e da conversão fotovoltaica é feita com tecnologia própria da USP. Curiosidades: o carro tem apenas três rodas, sendo duas na frente e uma roda motora atrás. Apesar de o veículo ser um pouco maior que um carro grande de passeio, ele pesa apenas 270 kg (aproximadamente um quarto daquele).
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