26/05 – Quarta-feira

Estamos em Patras, onde termina a 3ª etapa do Rali Phaethon 2004. É uma cidade de 250.000 habitantes muito bela, no estreito do Golfo de Patras, espremida entre o Mar Mediterrâneo, o golfo e as belas montanhas que levam ao Peloponeso. Como já contei, aqui está sendo construída a maior ponte estaiada do mundo, que será inaugurada pela passagem da Tocha Olímpica.

Com uma ajuda amiga do pessoal da Universidade de Patras – que também participa da corrida – e muito trabalho, conseguimos pôr o painel para funcionar hoje, terceiro dos cinco dias da prova, lá por volta das 14:00. Isso bem na hora em que as equipes começaram a chegar, exatamente onde estávamos (já que estávamos na Escola de Engenharia da Universidade, o ponto de chegada daquele dia). Foi um alvoroço! Ninguém acreditava no que via: televisão, rádio, as outras equipes, os organizadores: todos nos aplaudiram e cumprimentaram. Resultado: nosso painel está gerando um pouco mais de potência do que gerava antes do acidente. Vamos confiantes para a balsa, amanhã de manhã, que nos leva para Antirio, cidade para a qual eu olho enquanto escrevo estas palavras. É de lá que partem os carros no quarto dia de prova. Largaremos, como todos os outros carros, para o mais difícil dia do rali (uma subida difícil, cheia de curvas, com trechos de asfalto ruim, animais na pista e escarpas encobrindo o sol) esperando o melhor para nós e para as outras equipes, pois aqui somos um grande e solidário “nós”. Bem, amigos, escrevo-lhes novamente amanhã, de Itea, bela cidade litorânea, também no golfo.

Já falei isto algumas vezes e falarei muitas outras mais: o astral de uma corrida de carros solares é algo incrível, delicioso, empolgante: cada vez que uma equipe precisa de peças, ferramentas, qualquer coisa, as outras se unem para solucionar o problema, que é enxergado, acreditem, como um problema de todos. Por exemplo, recebemos, além da ajuda das ferramentas dos gregos, a contribuição da equipe holandesa Nuon – que também “filou” algo nosso – e também da equipe do Hans Go. Outro caso exemplar: os simpáticos alemães do Hans Go estavam fora da corrida por causa de um sério problema com seu motor. Eles pediram ajuda aos americanos de Principia College, que responderam: “não, não temos a peça de reposição que vocês pedem. Mas poderíamos lhes emprestar nosso motor reserva”. Um motor inteiro! Um m-o-t-o-r! E é assim que Hans Go e Principia se encontram hoje aqui em Patras, juntos no hotel, bem colocados na corrida. Qual deles chegará antes? Ninguém se importa. O comportamento do pessoal faz até parecer que a pontuação depende de que todos cheguem. Emocionante. O e-mail das fotos e diários de bordo que enviamos ao Brasil retornaram. A Cybertécnica continua ligando para mim e para a Marina querendo fotos e notícias...

Vinicius Rodrigues de Moraes, chefe da equipe Petrobras / USP Solar, conta como foi...
Maio 2004
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