27/05 – Quinta-feira
Os vinte minutos de travessia foram muito especiais: os carros todos, lado a lado, bem próximos, um visual belíssimo. Temos várias fotos de todos os ângulos da balsa, registradas pela nossa “fotógrafa” Marina e pelo Niko, fotógrafo oficial do evento que gentilmente nos cedeu algumas fotos também, e assim podemos compartilhar esse momento único... Todos os corredores se confraternizando num clima muito positivo e papeando sobre como seria difícil a subida da serra: sairíamos do nível do mar para um local com 600m de altitude, com muita estrada de montanha pelo percurso . De longe, o dia mais árduo da competição. Estávamos apreensivos por causa do acidente com o painel. Mas continuamos confiantes, sempre em frente. Afinal, um painel feito no Brasil, pela Embraer (viva a tecnologia nacional!) e consertado com paixão tem mais é que ficar bom mesmo. Funcionou muito bem, obrigado, e passamos a ter um valor de corrente que não tínhamos obtido até então, em nenhum momento na competição. Em um dado momento, enquanto acionávamos a frenagem regenerativa, um barulho de explosão. Pedimos para o Mario, piloto e chefe de eletrônica, parar. Ele disse: "De jeito nenhum! Tá funcionando!". E riu. Continuamos pedindo pelo rádio valores de corrente de painel e baterias. Tudo estava dentro do esperado, mas pouco tempo depois ouvimos três explosões seguidas, como uma metralhadora. O Mario, ao rádio, diz: "Agora já era! Explodiu tudo!". Com problema sério na eletrônica, sabíamos que estávamos fora da corrida. Mas, ei, tínhamos tido um PAINEL quebrado ao meio! Já tínhamos sido eleitos por todos - a organização da competição, nossos adversários e a mídia - como a mais incansável e resiliente equipe: passamos por cima de carro destruído na chegada, fogo no painel e painel quebrado, por que não sobreviveríamos a uma eletronicazinha problemática? Na verdade, ninguém acreditava quando dizíamos: "Voltaremos no quarto dia! O painel será consertado!". Mais ainda! Vocês precisavam ver quando o carro andou, com o banner da Petrobras cobrindo as dezenas de células quebradas, e rodou, junto com todos os outros, até a balsa! Palmas de todos, assobios, tapas nas nossas costas... Valeu, gente do Brasil, valeu... Todos esses dois anos de noites pouco ou não dormidas, os R$ 14.000 reais de investimento pessoal, as ausências em festas de família, toda essa doação de todas as formas... tudo foi compensado naquela passagem, naquele único momento. O mundo estava novamente provando o verdadeiro valor do bravo povo brasileiro. Foi pensando nisso que trabalhamos duro durante a tarde e a noite daquele dia. Novamente, apreensão. Na véspera era o painel, agora era a eletrônica. Mais uma loooooonga noite pela frente... Enquanto uma parte da equipe ficou trabalhando no carro, outra parte foi para o Cyber Café, reenviar o tal e-mail com fotos para a Cybertécnica. |
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